via@Marta Caetetu

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Resenha - "Modos de Educação, gênero e relações escola-família"

   
UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE
FACULDADE DE EDUCAÇÃO
CURSO DE PEDAGOGIA/2º SEM./TURMA P1
DISCIPLINA: ANTROPOLOGIA E EDUCAÇÃO II
Marta Caetetu
Professora: Mariana Paladino
Aluna: Marta Caetetu



Resenha
 Maria Eulina Pessoa de Carvalho. Modos de Educação, gênero e relações escola-família.  Cadernos de Pesquisa, v. 34, n. 121, pp. 41-58, jan./abr. 2004.



            Refletir acerca de questões contemporâneas como as Relações de Gênero, já é por si uma produção louvável e agregando ao tema o espaço escolar, a autora aprofunda a reflexão, uma vez que a norma social não está ausente das relações cotidianas de um espaço que ainda é privilegiado.
                Maria Eulina discute como a política educacional, o currículo e a prática pedagógica são pautados por uma família ideal. Assim, os modos de educação construídos historicamente, subordinam a família à escola, perpetuando características das relações de gênero que, na realidade, são extremamente difusas. Isto, segundo a autora, se traduz numa parceria escola-família em que a primeira evoca condutas que não condizem com as experiências vividas pela segunda.
            As estratégias de uma escola da rede pública de João Pessoa no sentido de expor as atribuições da família, são utilizadas pela autora para ratificar a distância entre um núcleo e outro.  E mais, para mostrar como o papel da mulher ainda é idealizado, como se pudesse ser descolado das transformações históricas, políticas, culturais, etc.. 
            Além disso, a autora conduz à reflexão acerca da política de envolvimento dos pais na escola, considerando que esta última, através desse movimento de cooperação, sinaliza seu fracasso pedagógico. Aponta, inclusive, que, nesta relação certos requisitos precisam ser considerados, sobretudo, a disponibilidade econômica e a bagagem cultural dos pais, uma vez que se a escola quer ajuda complementar, tais requisitos se impõem à família. Mas, para qual família a escola está se dirigindo?  Se, contemporaneamente estamos vivendo um processo de afirmação da questão do gênero e, por conseguinte, da visibilidade, cada vez maior, de tipos distintos de famílias, como a escola pode obter algum sucesso quando desconsidera o tom da história?
            Nesta discussão, que é candente, há uma questão central que diz respeito ao tempo de quem desempenha o papel de mãe, em detrimento dos que representam o papel de pai, porque a escola parece não levar em conta a própria história da educação. Maria Eulina realiza um breve resumo acerca das mudanças ocorridas, sublinhando o caráter etimológico das palavras educação e docência; feminino e masculino, respectivamente. Junte-se a isto o fato de que a educação escolar tornou-se predominante nas sociedades modernas do século XIX e esta e a família se diferenciaram e se especializaram. Ao longo da história, a autora destaca como o Estado assumiu a educação formal, afastando-se da orientação que se dava no lar.
            Atualmente, de acordo com as ilações da autora, a continuidade do papel de mãe na figura das professoras, bem como a imposição da escola, oculta as possibilidades de levar para o currículo escolar as experiências das famílias e impede uma relação que seja verdadeiramente de mão-dupla.
            Portanto, o texto torna-se leitura obrigatória entre Professores e interessados na problematização de questões em torno da relação escola-família, tendo como pano de fundo as relações de gênero, bem como sua constituição histórico-social. Essa vem a ser a proposta central da autora que desenvolve seus Projetos no Centro de Educação e Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa e Ação sobre a Mulher e Relações de Sexo e Gênero, da Universidade Federal da Paraíba.
            Para terminar, vale ressaltar que os estudos e reflexões apontados no texto podem oferecer subsídios para se (re) pensar as relações de gênero no espaço escolar. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário