via@Marta Caetetu

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Senzalas Modernas?


Marta caetettu - à 01h 58

REVISTA DE CIÊNCIAS SOCIAIS – Número 24 – Abril 2006
Política & Trabalho – Revista do Programa de Pós-Graduação em Sociologia
Universidade Federal da Paraíba, 2006 ISSN 0104-8015

RESENHA: FAVELA: Espaço de indiferenciação?

VALLADARES, Licia do Prado. A invenção da favela – Do mito de origem a favela.com. Rio de Janeiro. 1ª. Edição Ed. Fund. Getúlio Vargas, 2005. 204p. Formato: 16 x 23 cm [ISBN852250505330]

Antonio Mateus de Carvalho Soares*

Lançado no final do ano de 2005, no Rio de Janeiro, o livro: A invenção da favela, contribui para a atualização de um debate: a questão da favela brasileira. Valladares trata neste livro da evolução da favela carioca e o encontro da “favela real” com a “favela virtual”. Diria que o livro lançado é uma continuidade com ampliado aprofundamento do livro, Passa-se uma casa (1978), que se tornou um estudo clássico sobre habitação e favela no Brasil. Assim quase 30 anos depois, a autora, sem nunca ter se afastado do tema, responde a interpelação: “Afinal de contas, após um século, o que é uma favela?”. 

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Memória e cultura material


Marta Caetetu  - às 22h 36

Memória e cultura material: documentos pessoais no espaço público


Ulpiano T. Bezerra de Meneses

Não é prioridade deste texto discutir a natureza e alcance da cultura material como fonte para o conhecimento histórico. Seria um empreendimento de largo fôlego, sobretudo à vista do desinteresse que a história ainda manifesta por esse domínio, mesmo acreditando, ilusoriamente, ter-se dele aproximado (para caracterizar, nos avanços e incompreensões, a postura do historiador a respeito, sugiro a leitura, por exemplo, de Poulot, 1997). Nem examinar, nessa ótica, o que sejam coleção ou colecionismo e suas dimensões psicológicas, sociológicas, antropológicas ou históricas – temas, aliás, que já contam com farta e diversificada bibliografia (Baudrillard, 1968; Pomian, 1984; Pearce, 1995, 1998; Elsner & Cardinal, 1994; Belk, 1995 etc.). Antes, o objetivo é ater-me à problemática proposta pelo título deste artigo e indagar o 
que ocorre no deslocamento de objetos e coleções do campo pessoal para o público e que implicações precisariam ser consideradas no que diz respeito à pesquisa histórica. Por certo, nesse rumo, não poderei dispensar-me, inicialmente, de tocar em questões de base, conceituais ou teóricas, sobre algumas características genéricas dos objetos materiais, principalmente quando mobilizados como documentos. 

Premissas 

* Nota: As presentes reflexões surgiram originariamente como comentários às exposições de Maria Madalena M. Machado Garcia e Contardo Calligaris, na sessão reservada ao tema Documentos pessoais no espaço público do Seminário Internacional sobre Arquivos Pessoais, Rio/São Paulo, CPDOC/FGV–IEB/USP, 1997. Embora se tenham mantido algumas questões gerais levantadas por ambos os textos, a referência direta a eles foi aqui substituída por um tratamento mais autônomo dos problemas que julguei pertinentes. A bibliografia recente sobre memória tem investigado de maneira fragmentária e tímida o papel central dos objetos materiaisA bibliografia recente sobre memória tem investigado de maneira fragmentária e tímida o papel central dos objetos materiais nos processos de rememoração, que ocorrem num universo que é tanto de palavras quanto de coisas. Já anteriormente se havia ressaltado a dimensão corporal da memória. Edward Casey (1987) talvez tenha sido um dos autores mais influentes a fixar, com ênfase, a noção de body memory, como também a questionar a assimetria entre as representações mentais e materiais e o primado das primeiras (verbais ou imagísticas) como mediadoras da memória. 

Por se tratar de processos cognitivos encarnados (embodied cognitive processes), estão eles marcados por uma inserção física no universo material. A exterioridade, a concretude, a opacidade, em suma, a natureza física dos objetos materiais trazem marcas específicas à memória – problema capital, mas que não poderá ser aqui desenvolvido. Basta lembrar que a simples durabilidade do artefato, que em princípio costuma ultrapassar a vida de seus produtores e usuários originais, já o torna apto a expressar o passado de forma profunda e sensorialmente convincente: 

Folclore e cultura popular na escola

Marta Caetetu - às 22h 15



A Troça, a traça e o forrobodó: folclore e cultura popular na escola[1]
(Rio de Janeiro: DP&A, Ed. 2000, PP.61-76)

Lygia Segala[2]

                Começo de tarde, sala de professores de uma escola municipal na periferia do Rio de Janeiro.  A orientadora, com óculos largos de grau e pestanas exageradas, traz à baila o assunto da reunião: as comemorações do dia do folclore, no dia 27 de agosto.
-Eu falei dessas goteiras!  Interrompe uma das professoras reclamando, falando alto.  Agora está aí: os cartazes dos trajes típicos, das comidas típicas regionais que eu fiz, com todo o capricho quando entrei para esta escola e l[á se vão oito anos – suspira – estão acabados, cheios de manchas d’água, faltando pedaço! Como vai ser esse ano?
                -Mas não dá para aproveitar – diz uma colega.  Quem sabe a gente cola nas beiradas uma cocada, um acarajé, um babado de prato de doce...
                -E não é só isso não!  Vocês viram os chapéus do saci?  Estão todos furados de traça!  Quem lembrou de pôr naftalina naquelas caixas?  Tudo perdido!  Nessas condições como é que se pode ter folclore nesta escola?
                Outra professora intervém, examinando uma pasta com papéis:  - Seria melhor então largar das fantasias esse ano e só contar as lendas, aquelas que já estão aqui, mimeografadas...Bota para colorir a mãe d’água, o boto cor-de-rosa.  Usa essas histórias para fixar conteúdos...
-Ah não!  Temos que armar a nossa festa em agosto, rebate a diretora.  Precisamos consertar a caixa d’água e o muro também precisa de reparos.  É tempo de levantar dindim, fazer algum dinheiro!  A nossa quermesse, com as dancinhas, as apresentações dos alunos, os salgados e doces, a bandeja com chás medicinais tem de acontecer!  Aliás, já comprei no supermercado várias caixinhas de cidreira, boldo, carqueja.  É mais simples do que ir atrás de pé de planta.  Já está pronto.  Mas voltando à festa, ela é também uma oportunidade de abrir a escola para os pais, para a comunidade e levar um trocado – pisca um olho.
                Do canto da mesa, outra professora pede a palavra, mudando o tom da conversa: - Estou aqui pensando... Será que trabalhar o folclore e a cultura popular brasileira na Educação é, com dia marcado, pintar menino de saci, vender bolo de milho e espalhar nas salas desenhos do bumba-meu boi?[3]

                Essa encenação de sala de aula, criada a partir da experiência dos meus alunos-professores, traz pela brincadeira e pelo caricato, flagrantes comuns do debate sobre o folclore nas escolas.  Seguindo o calendário das festas, atiçam-se, no mês de agosto, eventos muitas vezes os mesmos, ano após ano, que pretendem evocar as “nossas tradições” facilitadas, as “antiguidades populares” ilustradas nas histórias passadas como bastões da moral e do civismo, símbolos de brasilidade.  Nessas comemorações, politicamente puídas, ou no uso do Folclore como mero recurso didático, foi-se perdendo a ideia de problematizá-lo como campo de estudos na Educação, de explorá-lo nas pesquisas cotidianas voltadas para a cultura plural e conflitante das ruas, das roças e das florestas.  No jogo figurado de parlendas pobres, correntes nas salas de aula, tira-se de foco, talvez, a dinâmica dos processos culturais que pode enlaçar o funk do bairro, a quadrilha do terreiro, as pajelanças, a arte dos trançados, das linhas e das tintas; os novos versos de cordel, as frases de caminhão, os cantos de trabalho e de devoção.  Esquecem-se os saberes diferentes sobre plantas, bichos, areias coloridas e estrelas; histórias contadas, cirandas de príncipes, santos e assombrações; cartografia da fonte e da miséria.
            Perdem interesse o trabalho e o sentido do trabalho nas cidades, no mar e nas enxadas; as regras de reciprocidade, a falta da terra, as tramas da política, da família, do compadrio, os modos de morar, os segredos dos temperos, as folganças, os ritos de passagem – um correr sem fim de temas inter-relacionados, permanentemente re-significados, matéria para observar, pensar, sentir, re-inventar nas escolas.
            Nessas construções culturais, o popular e o erudito se imbricam, abrindo circularidades, formas de apropriação recíprocas.  Essas oposições complementares fazem-se por dentro de um espaço de luta simbólica, de relações de força que buscam afirmar os conhecimentos legítimos.
            O trabalho das instituições educativas pode relativizar o projeto de homogeneização das competências linguísticas, culturais, abrindo-se para o reconhecimento das diferenças.  Ao longo do ano letivo, dos tempos de Carnaval e de folia às vésperas do Natal, são múltiplas as possibilidades de pesquisa e documentação nos livros e na “comunidade”, desdobrando das magras festas de agosto uma permanente investigação sobre contextos culturais específicos brasileiros e identidade nacional, repensada na fricção das fronteiras do Estado-Nação, diante das novas perspectivas de mundialização da cultura.

Os caminhos e (des) caminhos da Educação do MST

  RJ, 09/11/2012  - às 22h 06
A Educação do MST para além do controle político
Autora: Marta Caetetu

“(...) a história das ideias pedagógicas mostra que a pedagogia, isto é, a teoria da educação, é filha das crises sociais e políticas. É essencialmente em período de crise social e política que uma sociedade se interroga sobre a educação que dá a sua juventude...”
(Charlot, 1979)

ResumoA distância que separa o Brasil de seu passado monocultor de um presente industrial, não é tão grande assim, embora para nós represente uma eternidade. Para aquém e além das transformações econômicas, há um processo educacional por um lado interrompido e por outro, não construído. Este fato reverbera aumentando as desigualdades entre o campo e a cidade e relega o primeiro ao abandono quase total. Na atualidade, creio que não tenhamos um Projeto de Educação Nacional que atenda às áreas urbanas e rurais de acordo com suas especificidades. O Brasil do passado monocultor é hoje, entre outros aspectos, o Brasil dos Sem-Terra que lutam não somente pelo direito ao chão, mas também por um Projeto de Educação. No presente Artigo pretendo discutir os rumos da Educação do MST, sublinhando a construção independente de um Projeto educacional nem seu interior, bem como seu status relevante para a reprodução do próprio Movimento e para a reflexão de todos aqueles que, de algum modo, estão envolvidos essa grande temática que é a Educação.

Palavras-chave: Projeto de Educação Nacional – Educação do MST – reprodução do Movimento 

Introdução

     Como Professora da Rede Pública Estadual e Municipal do Rio de Janeiro há vinte e oito anos, tenho pela Educação um olhar mais do que atento e um interesse por diversos aspectos que tangenciam a temática. Não por acaso, neste artigo me proponho a discutir os caminhos e (des) caminhos da Educação do MST. Não possuo experiência concreta alguma, porém é possível propor uma discussão, senão pela prática, ao menos pelo interesse acadêmico que, certamente, desperta. Na intenção muito mais de provocar a reflexão, tentarei demonstrar que existe um dilema educacional no Brasil e que a Educação do MST faz parte dele. O objetivo aqui não é o de julgar as condições políticas objetivas nas quais o Movimento se insere, mas como sua ideia de Educação está inserida ou não nas condições objetivas nacionais.
     Dos jesuítas aos nossos dias, uma situação evidente de desigualdade permeia as ações governamentais na área da Educação criaram e permanecem ratificando um sistema elitista. E como fica, então, a singularidade da Educação do MST à luz desse sistema? É este o ponto que pretendo abordar em seus limites e realizações.

Vargas e as histórias que Vovó contava


Marta Caetetu - às 21h 44
Memórias de Infância*
          As lembranças que ainda povoam minha mente fazem parte de uma infância vivida com muita brincadeira, roda de histórias e muito estudo, dentre outras tantas coisas. E as histórias que vovó contava  é uma das mais presentes.
        Eram muito comuns as discussões políticas entre meus avôs, mas o bom mesmo era escutar o que a vovó contava. Nas discussões dois nomes sempre eram falados: Getúlio e Lacerda. Eu não entendia muito bem, imersa em uma doce ingenuidade, por volta dos seis, sete anos de idade, por que aqueles dois homens faziam com que meus avôs, em lados opostos, se exaltassem tanto. Hoje consigo entender um pouquinho do ar extenuado que eles aparentavam ao final de uma discussão dessas.
     Meu avô não conversava quase nada com os netos. Por outro lado, a vovó tinha sempre ótimas histórias para contar. E a primeira delas, que eu me lembre, contada repetidas vezes, era a de que meu bisa, tenente do exército nos anos de Getúlio, havia decretado seu casamento com um de seus soldados, no ano de 1931. E ela contava apenas treze anos de idade.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Barack Obama: O Citizen e os desafios a serem vencidos

Marta Caetetu - às 22h 49
Barack Obama, o Citizen
O Presidente, reeleito, Barack Obama tem uma responsabilidade muito superior àquela que lhe foi confiada no primeiro mandato: vencer o jogo político, conciliando divergências postas à mesa (e agudizadas), desde a Guerra Civil.
Se, no século XIX, os Confederados eram Democratas e a União era Republicana e peças políticas fundamentais foram movidas alterando essa configuração, o sonho fundador da  Democracia na América, no século XVIII, ecoa entre os estadunidenses. E é isso que o candidato Obama, uma vez mais reiterou. Terá que cotejar a oposição para, enquanto Presidente, restabelecer o rumo dos Estados Unidos que, nos últimos quatro anos tem sido de uma oposição inconsequente, ao bloquear as ações de Washington.
Barack Obama sinalizou, em seu discurso da vitória, que o caminho é o do entendimento com a oposição, sem o qual, os Estados Unidos continuarão a fraquejar diante do mundo, como a mais poderosa Nação.
A vitória pode ter ficado um pouco distante da primeira, porquanto novidade. Porém, a reeleição de Obama foi comemorada em todos os cantos do mundo.
O mundo aguarda um segundo mandato mais político, de efetivação de ideias que vaguearam no plano do discurso, durante o primeiro mandato.
Não por acaso, a imagem da vitória mais vista nas redes sociais, como Facebook e Twitter, não é a do político Obama, mas a do citizen,  projetada como a realização do sonho na Nação estadunidense.

O Partido Republicano quase protagonizou essas eleições, mas nas palavras do seu candidato, Mitt Romney, as disputas terminaram com a declaração do vencedor. Agora, é unir esforços para que a Nação volte a ser a vedete global.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Alteração da legislação sobre o CEC/RJ

Marta Caetetu - às 02h 13

DIÁRIO OFICIAL  de 27 de abril de 2012

RESOLUÇÃO SME Nº 1186, DE 26 DE ABRIL DE 2012

Altera a Resolução SME N.º 212 de 24 de agosto de 1984 e dá outras providências.

A SECRETÁRIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO, no uso das atribuições que lhe são conferidas pela legislação em vigor, tendo em vista o disposto na Resolução SME nº 212 de 24 de agosto de 1984, que cria o Conselho Escola-Comunidade e,

CONSIDERANDO a importância de valorizar a representatividade para uma educação cidadã;

CONSIDERANDO a Escola como espaço legítimo de reflexão e de discussão da sociedade;

CONSIDERANDO o CEC como elo integrador entre Escola / Família e Comunidade;

CONSIDERANDO que a educação pressupõe ações que devem estar em sintonia com o tempo em que se vive e se busca transformar.

RESOLVE:

Art. 1º. Ficam alterados os artigos 3º, 4º e 5º da Resolução SME N.º 212 de 24 de agosto de 1984, que passam a vigorar com as seguintes redações:

sábado, 3 de novembro de 2012

Usina de Belo Monte: Família Marinho e Revista Veja em lados contrários

Marta Caetetu - à 01h 56

Após ouvir tantas informações acerca da construção de uma Usina Hidrelétrica em Belo Monte (no Rio Xingu, Pará Brasil), o ator Sergio Marone resolveu fazer alguma coisa para divulgar os absurdos desta decisão Federal e, ao mesmo tempo, produzir um abaixo-assinado, objetivando fazê-lo chegar às mãos da Presidente Dilma Rousseff.
Pois bem, Marone criou o Movimento Gota d'água (2011) e um vídeo que todo brasileiro, especialmente de fora dos redutos políticos, precisa ver. Além disso, o abaixo-assinado foi entregue em dezembro/2011, com um milhão, trezentas e cinquenta mil assinaturas.
Com o patrocínio da família Marinho, artistas divulgam as principais preocupações







A Revista Veja "atesta" os dados contidos no vídeo contra a divulgação global


Pesquisar, é preciso.
Para que possamos entender qual grupo expressa a verdade dos fatos, não devemos nos furtar do percurso, tortuoso, de boa pesquisa. Caso contrário, ficaremos a ver navios e, totalmente, sem rumo.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Sandy - A Tragédia que trouxe Triunfo

Marta Caetetu - à 01h 40
Imagem de satélite - Costa Leste dos Estados Unidos, no
dia 30 (terça-feira)

Brasileiros, em Nova York, sofrem com a passagem do furacão Sandy.
O número de mortos já ultrapassou o quantitativo de 50 vítimas; bairros ficaram, quase, submersos e o prejuízo financeiro beira os US$ 50 bilhões.
Obama chegou, na quarta-feira, à Nova  Jersey,
sendo recebido pelo Governador republicano,
Chris Christie
Politicamente, os dividendos do furacão para os democratas são, até agora, positivos. Barack Obama triunfa, através da solidariedade empenhada aos desabrigados, às famílias que perderam seus entes, além de  poder auxiliar à população no que tange às necessidade básicas, tais como água e alimentos.
A questão climática que, ao que parece, foi mantida à margem dos debates entre Obama e Romney, agora deverá ser a vedete adulada. Um dos motivos, fundamental do ponto de vista político, é o fato de que o Prefeito (independente) de Nova York, o bilionário Michael Bloomberg, considerar o atual Presidente capaz de enfrentar o tema, através de respostas práticas.
Bloomberg era um dos apoios mais aguardados pelos concorrentes à Presidência. Agora, o dado foi lançado e a direção indicada chama-se Barack Obama.

Para além dos Estados Unidos

Os impactos do Sandy (com vítimas fatais e desabrigados), também puderam ser observados em, ao menos, cinco países do Caribe; sendo que Cuba, Jamaica, Haiti e Bahamas são os que mais sofreram. 
O Brasil enviou ajuda financeira à Cuba. 

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Secretária Municipal de Educação/RJ - Uma fala distante das salas de aula

Marta Caetetu - às 21h 13

A Secretária de Educação da Prefeitura do rio de Janeiro, foi entrevistada, ontem, no Programa do Jô e saiu vestindo a famosa "saia justa". Não conseguiu demonstrar o que foi feito, sob sua gestão, para transformar a situação patética, perigosa e incipiente da Educação Carioca. 

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

As Décadas de Vargas na Questão Habitacional

Marta Caetetu - às 21h 43

1942 - Construção do IAPI  de Realengo,
no Rio de Janeiro
O Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Industriários (IAPI) foi o grande financiador de construções habitacionais sociais do período aqui analisado por Nabil Bonduki.






Origens da habitação social no Brasil 

Nabil Georges Bonduki* Análise Social, vol. xxix (127), 1994 (3.°), 711-732

O objetivo deste paper é analisar as origens da intervenção estatal na questão da habitação de interesse social no Brasil, com destaque para o período de Vargas (1930-1954). Ainda serão destacadas as repercussões desta intervenção no quadro de soluções de moradia e de acesso à terra em São Paulo. 

Trata-se do momento em que o Estado brasileiro passa a intervir tanto no processo de produção como no mercado de aluguel, abandonando a postura de deixar a questão da construção, comercialização, financiamento e locação habitacional às «livres forças do mercado», que vigorou até então. Esta nova postura do Estado brasileiro na questão da habitação é parte integrante da estratégia muito mais ampla, colocada em prática pelo governo Vargas, de impulsionar a formação e fortalecimento de uma sociedade de cunho urbano-industrial, capitalista, mediante uma forte intervenção estatal em todos os âmbitos da atividade econômica (Oliveira, 1971). 

Entre as medidas mais importantes implementadas pelo governo no que diz respeito à questão habitacional, estiveram o decreto-lei do inquilinato, em 1942, que, congelando os aluguéis, passou a regulamentar as relações entre locadores e inquilinos, a criação das carteiras prediais dos Institutos de Aposentadoria e Previdência e da Fundação da Casa Popular, que deram início à produção estatal de moradias subsidiadas e, em parte, viabilizaram o financiamento da promoção imobiliária, e o Decreto-Lei n.° 58, que regulamentou a venda de lotes urbanos a prestações. 

"Desmundo" - Um lugar onde não se poderia viver

Marta Caetetu - à 0h 20

Mulheres da Metrópole à mercê do Desmundo
Com roteiro de Alain Fresnot (Diretor), Sabrina Anzuategui e Anna Muylaert., "Desmundo" (2003) é o filme que, após "Carlota Joaquina, Princesa do Brasil" (1995), representa com maior rigor (e vigor) parte da história do Brasil. 
É uma adaptação do livro homônimo de Ana Miranda, que centra sua narrativa no papel da mulher durante o período colonial, mostrando-o através de suas não escolhas, não opções, não amores...
A linguagem chama a atenção por reproduzir o português arcaico, que nos conduz ao "mundo" das últimas décadas do século XVI. 
"Desmundo" é um filme brasileiro pouco publicizado para a grandeza que esta obra filmográfica representa. Afinal, não é toda hora que nos deparamos com produções bem elaboradas e que acrescentam aspectos positivos à indústria cinematográfica.
Logo no início, vê-se uma embarcação e a imagem da câmera fechada em uma das mulheres que são obrigadas a cruzar o Atlântico rumo ao destino traçado politicamente. Era necessário, à época evitar que os colonos portugueses tivessem filhos com as nativas. Plano que sabemos, hoje, não ter obtido tanto sucesso.
As mulheres escolhidas eram órfãs, o que, por si só, já as tornava um estorvo social. À mulher, cabia ser "propriedade" de alguém. No caso da orfandade em tempos Coloniais, a prerrogativa passava à Igreja e à Coroa.

Algumas imagens do filme








O filme


segunda-feira, 29 de outubro de 2012

No Dia do Livro, o homenageado é...Jorge Amado

Marta Caetetu - às 22h52
As dez melhores adaptações de obras de Jorge Amado, para a TV, Palco e/ou Cinema

Jorge Amado faria 100 anos em 10 de agosto último.  Seus livros foram editados em 55 países e adaptados para o cinema, o teatro e a televisão. Ainda inspiraram novas histórias e continuarão a inspirar.
Portanto, uma brevíssima homenagem ao Senhor das "Bahias" e de muitos deuses, nesse Dia do Livro, através da minha lente.
            Título                                                         Ano de publicação da obra
 1º - Mar Morto ....................................................................(1936)
 2º - Capitães da Areia......................................................... (1937)
 3º - Gabriela, Cravo e Canela..............................................(1958)
 4º - A Morte e a Morte de Quincas Berro D'Água ..................(1959)
 5º - Dona Flor e seus dois maridos.......................................(1966)
 6º - Tenda dos Milagres .......................................................(1969)
 7º - Tenda dos Milagres ......................................................(1969)
 8º - Teresa Batista Cansada de Guerra ................................(1972)
 9º - Tieta do Agreste ............................................................(1977)
!0 - Tocaia Grande ................................................................(1984)

"Elefante" - Bastava prestar atenção

Marta Caetetu - às 20h 32
Produção Mental frente ao Individualismo e à Segregação
Para além de qualquer distúrbio, "Elefante" (2003) nos mostra como não somos atentos ao que está à nossa volta.
Ganhador da Palma de Ouro, em Cannes, o filme foi inspirado no Massacre de Columbine, ocorrido em 20 de abril de 1999, no Instituto Columbine, localizado no Condado de Jefferson, Colorado, Estados Unidos. Lá, os estudantes Eric (18 anos) e Dylan (17 anos) atiraram em diversos colegas e Professores.
No filme Elefante, dois jovens agem como o acontecido em Columbine.
O título, segundo o roteirista e diretor Gus Van Sant, remete à parábola hindu dos cegos diante de um elefante; cada um toca parte do animal e diz saber o que é, sem, contudo, perceber o todo. 
Para Gus, as várias personagens que, aparentemente, não se encaixam, fazem parte do mosaico vivido e odiado pelos meninos.



Luís António Verney - Um intelectual que ousou contrariar o Marquês de Pombal

Marta Caetetu - às 09h 47

Verdadeiro método de estudar: para ser util à Republica, e à Igreja: proporcionado ao estilo, e necesidade de Portugal., Valensa [Nápoles], 1746 - Biblioteca Nacional Digital

Um opositor às ideias do Marquês de Pombal
Luís António Verney (1713-1792)

Verney foi um crítico contumaz dos métodos de ensino tradicionais e do seu excesso de teoria. De acordo com suas proposições o ensino deveria basear-se nas realidade concretas e experiências; o ensino elementar deveria ministrado para ambos os sexos; caberia ao Estado à iniciativa e o custeio do sistema educacional.
Desse modo, rapidamente, conflagrou contra si o descontentamento de muitos poderosos da época, fundamentalmente, do Marquês de Pombal. Como consequência, refugiou-se em Roma, lugar onde viveu até o fim de sua vida.

"Missing" - Uma forma de denunciar a Ditadura de Pinochet, no Chile

Marta Caetetu - às 02h 21
Quando o Cinema é porta-voz dos que são obrigados a calar
Os comentários acerca do filme, são do crítico Marcelo Janot.




O filme



"Memória e Cidade" - Imigração Espanhola em Niterói, por Eduardo Ângelo da Silva

Marta Caetetu - à 01h 13
Valonguinho - 1940


Memória da Imigração Espanhola em Niterói
Eduardo Ângelo da Silva -UFF

Este trabalho se integra à linha de pesquisa “Memória e Cidade” do Laboratório de História 
Oral e Imagem (LABHOI) da Universidade Federal Fluminense, a qual engloba estudos sobre a cultura urbana e lugares de memória abarcando a discussão sobre identidades sociais e o patrimônio cultural na cidade. Esta linha de pesquisa tem como destaque de suas investigações os estudos sobre a história da imigração no século XX, voltando-se, principalmente, para as investigações sobre as comunidades de imigrantes do Estado do Rio de Janeiro. 

Uma vez que ainda são escassos os estudos sobre imigração que recortam como espaço de pesquisa a cidade do Rio de Janeiro e suas imediações1, o presente trabalho, que teve como objetivo o resgate da memória da imigração espanhola em Niterói, contribui para a constituição e desenvolvimento dos estudos relativos aos processos de imigração pós-Segunda Guerra Mundial que tiveram como destino centros urbanos. 
(...)

‘Usos do Passado’ — XII Encontro Regional de História ANPUH-RJ 2006: 

Agora que o estudo já foi situado dentro de um esforço maior de pesquisas sobre imigração, torna-se relevante apontar mesmo que de forma simplificada as etapas que o constituíram. 

Após definirmos os objetivos do trabalho, iniciamos a pesquisa histórica e o contato com a comunidade espanhola de Niterói através do Clube Espanhol de Niterói (CEN). 

Percebemos então que a maioria dos imigrantes fazia parte do fluxo imigratório espanhol para a América ocorrido a partir de 1945 até os anos 1960 e que a comunidade espanhola desta cidade é marcada pela presença galega. Estes fatos se explicam pela pesquisa realizada sobre o contexto histórico em questão. 

domingo, 28 de outubro de 2012

A recuperação de Malala e as sábias palavras do seu pai

Marta caetetu - às 22h 25
Uma "estrelinha" volta a brilhar
Malala Yousufzai recupera-se, aos poucos, mas já se comunica por meio de escrita breve. Com o auxílio dos médicos, conseguiu levantar, ficar de pé, o que foi interrompido com o atentado.
As palavras do seu pai precisam reverberar em todas as mentes e corações:

"Quando ela caiu, o Paquistão se levantou e o mundo também. Este foi o ponto de virada."

O Aniversário de Iolanda - O Balneário da Urca e dois Casamentos

RJ, 27/10/2012
O Aniversário de Iolanda
Autora: Marta Caetetu

(...)


Parte VI
Anos Dourados na Capital Federal
Em 1949, Felipe, Beatriz, Maria Antônia; já com quinze anos, Francisco; com dezessete, Bernadette e a filha Íris, que, à época, contava dezoito anos de idade, chegaram à Cidade De São Sebastião do Rio de Janeiro, capital dos antigo Estado da Guanabara e  a capital do país,  à época, após viagem de trem até o desembarque na Central do Brasil, no Centro da Cidade.
Nesse momento, as grandes cidades brasileiras ainda passavam pelo processo de transição do transporte ferroviário para o rodoviário, iniciado na década de 20.  Além disso, o país necessitava da construção de muitos quilômetros de estradas. 
Os bondes elétricos eram a principal opção, à época, para a população mais pobre, porque era mais barato que os [poucos] ônibus. E apenas um grupo muito reduzido, tinha condição financeira para adquirir  um automóvel. 
A "família" que chegava ao Rio de Janeiro, antes providenciara,  quando da contratação do transporte da mudança, o transporte de navio para seu automóvel. Francisco deixou a família na confeitaria Colombo e dirigiu-se à Praça Mauá para efetuar a retirada do veículo, um Ford conversível, 1946. Fora um presente de Lucien ao casal.
Da Confeitaria, foram para a nova residência - uma casarão no balneário da Urca, próximo ao Cassino (desativado, desde 1946, quando o então Presidente da República, Eurico Gaspar Dutra, proibiu os jogos no país). Como o imóvel, agora, pertencia ao casal e aos meninos, tendo em vista parte da herança deixada por Lucien, não havia razão que os levassem para outro rumo. 

Em 1951, Felipe e Beatriz organizaram uma bela festa pela formatura de  Íris. A partir de então, ela dedicou-se a algumas especializações, particularmente, as relativas ao campo da geriatria.

Maria Antônia e Francisco, que namoravam, meio secretamente,  desde 1948, por meio de olhares e atenção mais dedicada, como o costume, conversaram com Beatriz e Felipe.

__ Meu interesse por Maria Antônia é sincero e já faz algum tempo. E como sei que ela também se interessa por mim, peço que permitam nosso noivado.

__ Vocês pensam que nós nunca percebemos?

Perguntou Beatriz, sorrindo.

Felipe deu um forte abraço nos dois, abençoando Francisco com todo o amor que ele pôde lhe dar.
Em 1952, Íris se casou com Nicolas, um médico, seu amigo dos tempos do curso de Medicina.
Em 1953, foi a vez de Maria Antônia subir ao altar para o casamento com Francisco.

(...)




sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Entre o Sagrado e o Abandono, "Orações para Bobby"

Marta caetetu - às 23h 33

Entre o Sagrado e o abandono
Orações para Bobby

O filme (2009), baseado em fatos reais, mostra o abandono emocional vivido pela personagem central,  Bobby (interpretado por Ryan Kelley), em função da sua orientação sexual - por volta dos dezesseis anos, após tentativas de relacionamentos héteros, Bobby revela sua homossexualidade à família. 


Bobby Griffith
A mãe é a que mais sofre com a revelação e tenta "curar" o filho, por meio de leituras e lembretes Bíblicos espalhados por diversos cômodos da casa; para ela, o homossexualismo não é divino; é profano. Portanto, Bobby precisa livrar de tais pensamentos e sentimentos, a fim de não padecer no fogo do inferno.

Bobby Griffith
A atriz Sigourney Weaver encarna, magistralmente, a mulher que, no primeiro momento,  não pensa a Bíblia, apenas repete o que está escrito. Após muitas discussões e buscas, ela se transforma na mãe dilacerada pela dor da perda do filho e, diante da ignorância vivida, assume o papel de mulher que divulga o abandono emocional dos homossexuais, em geral.

É, sem dúvida, uma belíssima adaptação do livro homônimo, de Leroy F. Aarons






quinta-feira, 25 de outubro de 2012

FILOSOFIA

Marta Caetetu - às 21h 58


O Mito do Amor

(fragmento do livro O Banquete, de Platão)


        Quando a deusa Afrodite nasceu, houve uma grande festa para os deuses, mas esqueceu-se de convidar a deusa Penúria (Pênia). Miserável e faminta, Penúria esperou o final da festa, esgueirou-se pelos jardins e comeu os restos, enquanto os demais deuses dormiam. Num canto do jardim, viu Engenho Astuto (Poros) e desejou conceber um filho dele, deitando-se ao seu lado. Desse ato sexual nasceu Eros, o amor. Como sua mãe, Eros está sempre carente, faminto, miserável; como seu pai, Eros é astuto, sabe criar expedientes engenhosos para conseguir o que quer.
                                                              (CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. p.216)


SOCIOLOGIA

Marta Caetetu - às 21h 53


A Sociologia de Guerreiro Ramos



Painel sobre a "Contribuição de Guerreiro Ramos para a Sociologia Brasileira", in Revista de Administração Pública (Rio de Janeiro)) 17, 2 abril-junho, 30-34, 1983.
Simon Schwartzman

Gostaria de fazer alguns comentários sobre como era a sociologia no Brasil que Guerreiro Ramos criticava, e qual era o tipo de sociologia que ele pretendia desenvolver. Isto nos permitirá pensar um pouco em como avaliar, com os olhos de hoje, sua contribuição.

Temos que lembrar que, na época em que Guerreiro Ramos viveu e trabalhou no Brasil, a sociologia praticamente só existia, como atividade acadêmica institucionalizada, na Universidade de São Paulo. Somente na USP era possível fazer do trabalho sociológico uma carreira, com reconhecimento social e perspectivas de crescimento. Fora isto, e com algumas poucas exceções, o que havia no país eram "pensadores" e escritores isolados, alguns de grande talento, que buscavam estabelecer uma ponte entre a atividade intelectual e a atividade política. Guerreiro Ramos, pelo menos em sua intenção, representava bem esta extirpe de escritores, combinando grande erudição e brilho intelectual com uma preocupação constante em participar e influir na vida política.



Charges, Imagens, Tirinhas...



Stacy Sycora declara sua felicidade

Marta Caetetu às 19h 20


Seres humanos adoram rótulos   
Nós estamos o tempo todo rotulando, nos esquecendo que tal atitude é uma avenida de mão dupla.
A jogadora de vôlei, Stacy, atualmente jogando na Itália, teve que se impor um rótulo para que pudesse expressar sua vida, sua felicidade. Convocou jornalistas para se declarar homossexual e que tem uma namorada.
Somos tão esquizofrênicos, que precisamos satisfazer os outros para que possamos existir. 
Ela fez o que julga ser o melhor, a fim de que os outros (que somos nós) parem de especular a respeito da sua vida amorosa. Se ela fez bem, não cabe a mim qualquer manifestação. Rótulos são sempre perigosos e geram (e geraram) tragédias históricas. Penso no jogo da Stacy de igual modo - ela é uma líbero que não dá sossego à Fabi. 
A orientação sexual dela, não é da minha competência, nem interfere na forma como admiro a profissional que ela é.
Deixemos os outros viverem e cuidemos de viver. Só isso, já está de bom tamanho.

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Beijo "interrompe" manifestação contra casamento homossexual, em Marselha, França
22/10/2012

Os Guarani-Kaiowá e a terra de seus ancestrais - morte anunciada

Marta Caetetu - às 14h 08


A morte, anunciada, de um povo
Aqui se trata de suicídio como estudado por Émile Durkheim. Este, definiu três tipos de suicídio.
No caso dos índios Guarani-Kaiowá, parece-me claro que há dois tipos em curso:
O suicídio anômico, tendo a vista a perda dos referenciais culturais em face da ausência do Estado e o suicídio altruísta, posto que o ego dos índios do Brasil é aviltado e usurpado.
Este é o Brasil de quem?

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Carta assinada pelos líderes indígenas da aldeia Guarani-Kaiowá, do Mato Grosso do Sul, e remetida ao Conselho Indigenista Missionário (CIMI)


Carta da comunidade Guarani-Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay-Iguatemi-MS para o Governo e
Justiça do Brasil
Nós (50 homens, 50 mulheres e 70 crianças) comunidades Guarani-Kaiowá originárias de tekoha
Pyelito kue/Mbrakay, viemos através desta carta apresentar a nossa situação histórica e decisão
definitiva diante de da ordem de despacho expressado pela Justiça Federal de Navirai-MS,
conforme o processo nº 0000032-87.2012.4.03.6006, do dia 29 de setembro de 2012. Recebemos
a informação de que nossa comunidade logo será atacada, violentada e expulsa da margem do rio
pela própria Justiça Federal, de Navirai-MS.
Assim, fica evidente para nós, que a própria ação da Justiça Federal gera e aumenta as violências
contra as nossas vidas, ignorando os nossos direitos de sobreviver à margem do rio Hovy e
próximo de nosso território tradicional Pyelito Kue/Mbarakay. Entendemos claramente que esta
decisão da Justiça Federal de Navirai-MS é parte da ação de genocídio e extermínio histórico ao
povo indígena, nativo e autóctone do Mato Grosso do Sul, isto é, a própria ação da Justiça
Aldeia Guarani - Foto: Egon Shaden, 1949
Federal está violentando e exterminado e as nossas vidas. Queremos deixar evidente ao Governo
e Justiça Federal que por fim, já perdemos a esperança de sobreviver dignamente e sem violência
em nosso território antigo, não acreditamos mais na Justiça brasileira. A quem vamos denunciar as
violências praticadas contra nossas vidas? Para qual Justiça do Brasil? Se a própria Justiça
Federal está gerando e alimentando violências contra nós. Nós já avaliamos a nossa situação
atual e concluímos que vamos morrer todos mesmo em pouco tempo, não temos e nem teremos
perspectiva de vida digna e justa tanto aqui na margem do rio quanto longe daqui. Estamos aqui
acampados a 50 metros do rio Hovy onde já ocorreram quatro mortes, sendo duas por meio de
suicídio e duas em decorrência de espancamento e tortura de pistoleiros das fazendas.
Moramos na margem do rio Hovy há mais de um ano e estamos sem nenhuma assistência,
isolados, cercados de pistoleiros e resistimos até hoje. Comemos comida uma vez por dia.
Passamos tudo isso para recuperar o nosso território antigo Pyleito Kue/Mbarakay. De fato,
sabemos muito bem que no centro desse nosso território antigo estão enterrados vários dos nossos

avôs, avós, bisavôs e bisavós, ali estão os cemitérios de todos nossos antepassados.Cientes
desse fato histórico, nós já vamos e queremos ser mortos e enterrados junto aos nossos
antepassados aqui mesmo onde estamos hoje, por isso, pedimos ao Governo e Justiça Federal
para não decretar a ordem de despejo/expulsão, mas solicitamos para decretar a nossa morte
coletiva e para enterrar nós todos aqui.
Pedimos, de uma vez por todas, para decretar a nossa dizimação e extinção total, além de enviar
vários tratores para cavar um grande buraco para jogar e enterrar os nossos corpos. Esse é
nosso pedido aos juízes federais. Já aguardamos esta decisão da Justiça Federal. Decretem a
nossa morte coletiva Guarani e Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay e enterrem-nos aqui. Visto que
decidimos integralmente a não sairmos daqui com vida e nem mortos.
Sabemos que não temos mais chance em sobreviver dignamente aqui em nosso território antigo,
já sofremos muito e estamos todos massacrados e morrendo em ritmo acelerado. Sabemos que
seremos expulsos daqui da margem do rio pela Justiça, porém não vamos sair da margem do rio.
Como um povo nativo e indígena histórico, decidimos meramente em sermos mortos coletivamente
aqui. Não temos outra opção esta é a nossa última decisão unânime diante do despacho da
Justiça Federal de Navirai-MS.

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26/10/2012
Liminar mantém os 170 índios nas terras da fazenda, por eles ocupadas.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

"Violeta foi para o céu" - Cinebiografia sobre Violeta Parra

Marta Caetetu - à 01h 47
O filme do diretor chileno Andrés Wood, com roteiro de Eliseo Altunaga, foi produzido com a colaboração de Angel Parra, filho de Violeta, apesar de contar com a discordância de parte da família. Eles utilizaram o mesmo recurso do filme "Chico Xavier"; uma entrevista foi o fio condutor.
Angel é autor do romance, no qual o filme é baseado, além de ser utilizado para nomear a produção.
A atriz Francisca Gavilán, que interpreta Violeta, além de fazê-lo como poucas, é de semelhança física espantosa. Sua atuação me fez lembrar da atriz Marion Cottilard, que  interpretou, de forma emocionante, a grande cantora  francesa Edith Piaff, no filme La Môme (Piaff - Um Hino ao Amor/2007).

                     Violeta se fue a los Cielos - 2011




terça-feira, 23 de outubro de 2012

Violeta Parra - A tristeza no olhar e a poesia na alma

Marta Caetetu - às 23h 43

O canto exilado pela Ditadura
A trajetória da compositora, artista plástica, folclorista, poetisa genial e cantora chilena Violeta del Carmen Parra Sandoval foi símbolo da cultura latino-americana, nos anos 60 e voz para a luta dos oprimidos  e injustiçados.

Suas pesquisas, bem como sua música foram fundamentais, paralelamente ao trabalho de   Victor Jara, para a chamada Nova Canção Chilena.


Isabel Parra - filha
Durante o período de Ditadura Militar em seu país (1973-1990), sob o comando do General Augusto Pinochet, as canções de Violeta Parra, que havia se suicidado em 1967, aos 49 anos, foram "esquecidas".
Seus filhos foram perseguidos e o amigo Victor Jara, foi preso, torturado e assassinado.
Angel Parra - filho
Violeta com a filha,
Carmen Luisa
Violeta com os filhos e a neta
Cristina Isabel Parra Careceda,
a Tita Parra - neta de Violeta, filha de Isabel

                                Documentário: Viola Chilensis (2003) - Luis R. Vera.


Carlos Marighella - Primeiro, um homem a serviço da Política

Marta Caetetu - às 19h 57

Uma vida, quase franciscana
Carlos Marighella, mais conhecido como o guerrilheiro, dedicou a maior parte de sua vida, não à luta armada e sim, aos debates poéticos,  e políticos, como Deputado Federal, pela Bahia. Além de ser Professor universitário.
                                                                                          Maria  Rita do Nascimento, a mãe
A primeira vez que foi preso, em 1932, o foi como o poeta, que criticou em seu poema, o, então, Interventor da Bahia, nomeado por Getúlio Vargas, Juracy Magalhães.
Clara Charf, a viúva
Carlos Augusto, o filho

Carteira de filiação ao Partido Comunista
Brasileiro (PCB), em 1934
Tempos de Marighella
                                                               Mário Magalhães


Entrevista com o autor do livro Marighella - O guerrilheiro que incendiou o mundo
Mário Magalhães foi o entrevistado de ontem (01) do Programa Globo News Miriam Leitão.